sábado, 1 de setembro de 2012

Insegurança leva escola a suspender aulas

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Por Marcus Araújo
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Cerca de 600 alunos da Escola Estadual Deputado Olavo Costa, no Bairro Monte Castelo, na Zona Norte, foram dispensados da aula ontem em função do clima de insegurança provocado pela morte do aluno Jefferson Luiz da Silva Fernandes, 14 anos, que foi alvejado no pescoço, no último dia 26, durante tiroteio em uma festa popular na Rua Coronel Quintão. O crime teria sido motivado pela rixa entre moradores do Monte Castelo e do Esplanada. A Polícia Militar foi acionada, de forma preventiva, para guardar os portões do colégio. Apesar da ameaça, nada foi registrado. De acordo com o diretor da instituição, André Avelar, desde o assassinato do aluno havia um sentimento de medo rondando a escola, uma vez que existia a suspeita de vingança e invasões na instituição. "Cheguei a receber ligações de vários pais com receio da situação. Hoje (ontem) antes do recreio, percebi que a sensação não era boa entre professores e alunos e, para evitar um mal maior, dispensamos os estudantes, que voltam às aulas na próxima segunda", disse André, completando que, na segunda-feira, haverá uma reunião colegiada aberta à comunidade, com o objetivo de discutir medidas de enfrentamento da violência. Também na terça, como aponta o diretor, ele irá se reunir com representantes da Superintendência Regional de Ensino (SRE) para abordar a ampliação do muro da instituição.
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A Deputado Olavo Costa figurou, no início de agosto, em reportagem da Tribuna, na qual a direção da instituição denunciava diversas invasões no pátio, em função de a escola possuir muro baixo. Seriam jovens, com idades entre 18 e 20 anos, não alunos, que estariam entrando sem permissão. A suspeita era de estes invasores estariam ligados ao tráfico de drogas. Em abril, o jornal flagrou jovens em cima do muro, comprovando a facilidade que eles encontram para entrar no colégio. Constatou também a presença de jovens consumindo drogas nos arredores da escola. A mãe de um estudante chegou a contar que avisou a direção, quando, por volta das 7h30, viu dois homens em atitude suspeita, na porta do colégio, com algo suspeito nas mãos como se quisessem oferecer aos alunos que chegavam para a aula.
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Agressão - Ainda ontem, a PM registrou crime de lesão corporal na Escola Estadual Francisco Bernardino, no Manoel Honório, na Zona Leste, onde um adolescente,16, foi agredido com socos e pontapés por outro jovem, também de 16. O fato foi registrado por volta das 10h, quando os envolvidos estariam jogando bola na aula de educação física e se desentenderam. A vítima sofreu golpes de pontapé e socos, caindo no chão desacordada. Diante da situação, a direção da escola acionou o Samu, que encaminhou o garoto ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), reclamando de dores na nuca, no tórax e nas pernas. Ele ficou internado. Segundo a Secretaria de Saúde, a vítima estava estável e aguardava avaliação da neurocirurgia e do cirurgião de tórax. O adolescente suspeito da agressão foi detido e encaminhado para a delegacia, em Santa Terezinha. Conforme a assessoria de comunicação da Polícia Civil, o adolescente foi ouvido e liberado para um responsável legal.
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Ameaça - Os desentendimentos entre jovens também mobilizaram a PM no final da tarde de ontem, na Avenida Getúlio Vargas, no Centro. Havia denúncias de que um conflito entre gangues de bairros rivais pudesse acontecer em um ponto de ônibus da via. Nas últimas semanas, casos graves de tentativas de homicídio e agressões foram registrados na Getúlio. Geralmente, os crimes ocorrem às sextas-feiras.
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PM afirma que age preventivamente - De acordo com o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região de Polícia Militar (4ª RPM), major Sebastião Justino, a PM, ao longo do ano, trabalha com ações preventivas a fim de conter conflitos no ambiente escolar, como Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), Jovens Construindo a Cidadania (JCC), Grupo Especializado no Atendimento à Criança e Adolescentes em Risco (Geacar) e Patrulha Escolar. Todos envolvem crianças e adolescentes, com o objetivo de evitar o contato deles com a criminalidade e as drogas. Ainda conforme o militar, quando não há registro de crime, a orientação é que o conflito seja resolvido pela própria comunidade escolar. Já nos casos em que há delito, a PM deve ser acionada via 190, para que possa se dirigir à instituição e prestar o serviço adequado. "A Polícia Militar realiza reuniões com as secretarias estaduais e municipais de educação a fim de promover o debate de medição de conflito, orientando funcionários, professores e alunos a resolverem as divergências sem a mediação do Estado. Claro, se não houver um fato criminoso", ressaltou o assessor, que afirma: "Este tipo de problema também é uma questão ligada à estrutura familiar. Os pais devem impor limites para que seus filhos tenham comportamento mais adequado no ambiente escolar."
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Fonte: Tribuna de Minas (JF - MG)

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